Se já sei a resposta, nem faço a pergunta. Eu disse, na primeira contração de diafragma da reunião toda. Na sala de espera, a inquisição. Você tá carrancudo. Tem dormido? Não trabalha demais, ok? Precisa cuidar do coração. E então? Então nada. Deixo o prédio e ligo o celular no café da esquina. Uma mensagem sua pipoca dizendo que vai ficar tudo bem.
Se não sei a resposta, faço todas as perguntas. Amar é livrar-se do peso de viver? É o remédio? A redenção? O final? A descoberta de que o samba não morreu? Me diz. Me diz, garçonete que traz minha bebida. Amar apenas por cansaço de estar só é trair a si mesmo, né? Será? Eu me pergunto. E fico no ar. Por isso voo na rota desse amor.
Você disse amor? Sim. É quando alguém, feito de som, cheiro, forma e movimento materializa os sonhos presos na garganta. Quem é capaz de resistir? Quem não se deixa vendar os olhos pela própria vontade? Sei que é amor quando não consigo definir o sentimento pela pessoa.
Mas como, se você a conheceu há pouco tempo? Ela nem mora aqui. Mas você a viu pela primeira vez na internet. E tão diferente. Onde tá escrito? Não me parece a pessoa certa. Parece impulso. É, eu sei. Mas eu é que sei.
Depois de tantas pessoas certas que apareceram na hora errada veio ela, a pessoa talvez errada na hora certa. Provocação, utopia, desordem, incomum. A leveza e o peso, o caos e a poesia bebendo no mesmo copo, em harmonia. Esperamos nos prender pra ficar livres e buscar todas as outras coisas. Agora eu começo a dieta. Agora eu vou provar coisas. Agora eu vou gostar mais das pessoas. Agora vou ao Cristo Redentor ou à pracinha da esquina.
E eu só queria dormir mais horas. Mas seu carinho nas costas com a perna nua enlaçada me sopra as fagulhas. Depois de tanto tempo a realidade supera os sonhos. Antes não conseguia dormir, agora já não quero sonhar. Durmo em paz com a insônia depois de sentir a cara dura se desintegrando com seu olhar ao passo que falo sentimentalismos por impulso.
Fazer o quê? São os impulsos que determinam nosso futuro. Não há erro antes de errar. Não há fracasso se não há escolha. Não há resposta sem pergunta. Não há promessa sem dívida. Olhos vendados. Sem pressentimentos. E o amor não tem erro, escolha, futuro, perguntas. O resto a gente vê depois, quando cair o pano.
Todo romance só vale a pena por sua fascinação, que reside nas coincidências, nos impulos, na obediência, no senão, na obrigação de reagir a um encontro, na pessoa talvez errada. Atribuir uma resposta, um sentido, uma razão, medir a intensidade, definir o amor, prever o futuro é pretensão de quem sabe amar. Mas não sabe que amar é não saber.
Na verdade não há definição para o amor que satisfaça 100% a explicação de alguém. Mas uma coisa podemos garantir, que aquela pessoa que nos faz bem, que cuida de gente, que nos trata como ninguém mais consegue, que parece não nos entender em um dia mas no outro aparece com as desculpas e mostra o quanto se preocupa, que esta sempre presente quando precisamos, que por mais dificil que pareça sempre tenta nos fazer rir…essa sim com certeza te ama de verdade, será fiel enquanto dure e só espera uma coisa de você o mesmo carinho, fidelidade e amor de volta.