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Arquivo do mês: abril 2011

A galinha revoltada

Deus criou o mundo em 7 dias; depois dedicou-se a ouvir as reclamações.

A primeira foi a girafa:
- Deus! Que sacanagem é esta? Este meu pescoço enorme e ridículo!
- Calma D.Girafa! Tudo foi bem pensado. Com esse pescoço Comprido, além de a Sra. poder comer as folhas mais tenras, vai poder perceber a aproximação do inimigo antes dos outros e assim se defender.
A girafa ouviu e ficou convencida de que Deus, afinal, tivera uma boa idéia.

Depois entrou o elefante, injuriado:
- Puxa vida, Deus! Eu sou enorme de gordo e tenho esta tromba toda na minha cara, isto é sacanagem!Pacientemente, explicou:
- Com esse tamanho todo, nem o Leão, que é o rei da selva, terá coragem de te enfrentar e, além do mais, graças a essa tromba, você é o único animal que pode tomar banho de chuveirinho..
O elefante ponderou e chegou à conclusão que Deus tinha razão.

Terceiro bicho da fila era a galinha, que já entrou metendo o pé na porta:
- Nem vem com explicações! Ou aumenta o cu, ou diminui o ovo!!!

 
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Publicado por em 07/04/2011 em Piadas

 

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Carta de uma mãe portuguesa

Querido filho:

Escrevo-te estas linhas para que saibas que a mãe está viva. Vou escrever bem devagar pois sei que não consegues ler depressa. Caso estejas sem tempo de escrever à mãe, manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranquilo vais mandar notícias.

Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos. Temos agora uma máquina de lavar roupa. Mas não trabalha muito bem. Na semana passada pus lá 4 camisas, apertei o botão e nunca mais as vi. Vai ver que esta marca Hydra não é das melhores.

Tua irmã Maria está grávida. Mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina. Portanto, não podemos te dizer se vais ser tio ou tia. Teu pai arranjou um bom emprego. Tem 2300 homens abaixo dele. É o responsável pelo corte da grama do cemitério. Quem anda sumido é teu tio Venâncio, que morreu no ano passado. Lembra-te do teu tio Joaquim? Então, afogou se no mês passado num depósito de vinho. Oito compadres dele tentaram salvá-lo, mas o tio lutou bravamente contra eles. O corpo foi cremado há duas semanas. Levaram oito dias para apagar o incêndio.

Os engarrafadores de refrigerante aqui finalmente tiveram uma grande idéia de colocar uma indicação na tampinha, dizendo “abra por aqui”. Facilitou-nos muito a vida. Espero que os daí façam a mesma coisa. Caso esteja difícil para ti, a mãe te manda algumas garrafas.

Teu irmão, João, continua o mesmo de sempre. Semana passada fechou o carro com as chaves dentro. Perdeu um tempão indo até a casa pegar a cópia da chave para poder tirar-nos todos de dentro do automóvel. Estava um calor de rachar. Por falar em calor, o tempo aqui está muito estranho. Esta semana só choveu duas vezes. Na primeira vez choveu durante 3 dias. Na segunda vez choveu durante 4 dias.

Esta carta te mando através do Gabriel, que vai amanhã para aí. A propósito, será que podes pegá-lo no aeroporto?
Lembrei de uma coisa importante. Terás um problema para falar com a mãe, caso decidas escrever-me. Não sei o endereço desta casa nova. A última família que morou aqui, antes de nós, também era portuguesa e levou a placa da rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço.

Se encontrares a Teresa, dê-lhe um alô da minha parte. Caso não a encontres, não precisas dizer nada.

Adeus. Tua mãe que te ama.
Manoela da Alcova

P.S.: ia mandar-te 2000 euros, mas fica para outra vez. Já fechei o envelope!

 
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Publicado por em 05/04/2011 em Piadas

 

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E agora? Ja passou o fim de semana…

É sexta-feira. Hoje ele não deu as caras e você ficou sem saber como fazer com aquele dia. São quase dez. É ele telefonando pra você, a garota angustiada. Você sabe quem é pelo alarme personalizado. Adora a música, lembra ele e aquele primeiro dia. Prepara o timbre sonolento de desdém. Ele quer resolver a situação. Gosta das coisas bem certinhas. Ele pressiona. Você reage. Falando sério, você andava angustiada, mas solta um confusa. Você age de modo vago, ríspido e meio sem rumo, cheia de rimas desencontradas.

Ele desliga, que moço intempestivo. Os minutos passam e você não dá o menor sinal de vida ou remorso. Oito minutos depois, Chris Martin se pronuncia outra vez. Você pensa em jogar o aparelho pelo céu escuro da varanda, mas até que gosta do órgão introduzindo a canção. Finge não saber quem fala. É ele. O moço agora despeja seus sonhos interrompidos e tudo aquilo que você não quer ouvir. Que você não aprendeu nada. Que uma forma de amar que deu errado uma vez pode funcionar com outra pessoa, não existe amor errado. Que amor errado é amor não vivido, e se não foi vivido então não foi amor.

Bobagem. Imbecil. Desliga o telefone na cara do babaca, derretendo a última certeza de haver um príncipe encantado fora das telas do cinema. Ai, que ódio. Sente raiva e espera uma nova ligação. E espera. Outra meia-hora. E espera mais um pouco. Ele não liga e você fica triste. Mas vai atrás da sua alegria. A sexta-feira morreu e as horas atravessaram muitas ruas. Tudo ficou pra trás. Sua amiga diz que você tá irritantemente calada e resolve o problema com mais um ou dois drinques. É sexta-feira, menina de deus. Ânimo.

Ele tem uma cara de nojento e nome de artista internacional, mas vai logo encostando e pergunta seu nome. Você já adianta que sofre de baixa tolerância a papo furado. Sim, tá sozinha e mostra no braço a vacina contra cantadas idiotas. O babaca em nada se parece com ele, não é tímido. Mas você não precisa fazer biquinho e falar comportada, até pode às vezes arrotar drinques e sentimentos desconexos. Ele nem liga. E você fica feliz porque até que enfim alguém te escuta. Ele pode se tornar um super amigo, por que não? É, você dá pra ele.

O domingo nasce abortado e você manda a real. Deu pra ele. Ele quem? Não interessa, você não sabe dizer ao certo. É um nome não muito comum, mas não é isso que vem ao caso. O caso que, olha só, você quer explicar. Oi? Ele não quer mais saber. Bate a ligação na sua cara irônica do outro lado. Quem não aprendeu nada aqui? Quem sabe tudo sobre amor e não consegue vencer essa etapa? O amor, se existe, é tácito e imperfeito. Você sempre soube. Você é quem sabe. Ele não sabe de nada, tampouco o que vai perder. Otário, não sabe se jogar pra vida. E dá de ombros. Azar o dele.

Caminhando na calçada, um dia, ele comentou de um filme, como quem não queria assistir contigo mesmo. As tardes mortas agora se locomovem vagarosamente, em câmera lenta, tipo no tal filme esse. Ele não telefona. Mas por que você não liga? Porque tem as mãos atulhadas de fotos, não pode perder os detalhes que morrem em cada ínicio de outono. O dente da frente que brilhava no escuro. O tênis verde musgo. Quando ele brincava de se enforcar com seus cabelos. Os conselhos. Ah, pois é.

Pra ninguém, você pergunta se ele também pensa em você. Sem resposta, mas claro que sim. Com sombras de dúvida. Ninguém apaga tudo assim. Ele também ouve “Fix You” com o olhar triste no céu escuro da varanda. Claro que ouve. Aí você começa a desconfiar que ele poderia ter sido o cara legal da sua vida. Isso, se você sentisse a mesma paixão, se você conseguisse entregar sua alma tanto quanto, se você soubesse amar ele do mesmo jeito e intensidade que ama a falta que agora ele te faz.

 
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Publicado por em 04/04/2011 em Textos

 

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